A Xiaomi voltou a estar no centro das atenções no sector automóvel na China, mas desta vez por razões menos positivas. A Administração Estatal para a Regulação do Mercado (SAMR) anunciou uma campanha de recolha que abrange 116 877 unidades do Xiaomi SU7, fabricadas entre 6 de fevereiro de 2024 e 30 de agosto de 2025, devido a anomalias no sistema de assistência à condução.
Segundo a entidade reguladora, o sistema de condução autónoma visado não apresenta capacidade de reconhecimento suficiente e, em determinados cenários, pode não detetar situações de risco nem avisar o condutor de forma adequada, à luz dos requisitos de condução autónoma de nível 2 (L2).
Esta ação de recolha surge seis meses após um acidente mortal que envolveu um veículo da marca, aumentando a pressão pública e regulatória sobre o modo como estes sistemas são comunicados e utilizados no dia a dia.
Condução autónoma (L2) e assistência à condução na China: o que significa na prática
Para enquadramento, o nível 2 de condução autónoma (L2), conforme a classificação da SAE - Sociedade de Engenheiros Automóveis, pressupõe que o automóvel consegue controlar simultaneamente algumas funções (como direção e aceleração/travagem), mas o condutor tem de manter supervisão constante e estar pronto para retomar o controlo imediatamente sempre que necessário.
De forma simplificada, a condução autónoma é geralmente descrita em cinco níveis:
- Nível 1: o condutor mantém o controlo, com apoio limitado de sistemas de assistência.
- Nível 2 (L2): automatização parcial com supervisão permanente do condutor.
- Nível 3: automatização condicionada, com delegação limitada em situações específicas.
- Nível 4: automatização elevada em áreas/condições delimitadas.
- Nível 5: condução totalmente autónoma em quaisquer cenários.
No mercado chinês, a maioria das soluções de assistência à condução está enquadrada em L2 ou L2+, sendo este “+” normalmente associado a mais funcionalidades e maior sofisticação, sem deixar de exigir vigilância ativa do condutor.
Reações da Xiaomi e correções por atualização remota (OTA) no Xiaomi SU7
Face à polémica, a Xiaomi afirmou que vai corrigir as falhas do SU7 através de atualizações remotas - isto é, atualizações OTA (por via remota) - evitando, assim, a necessidade de recolher fisicamente os automóveis ou de os submeter a inspeções presenciais para aplicar a correção.
Após a divulgação da campanha de recolha, as ações da empresa recuaram 0,3%, de acordo com o SCMP (jornal de Hong Kong).
As atualizações OTA são hoje comuns em veículos com forte componente de software, permitindo ajustar algoritmos, afinações e alertas sem visita a uma oficina. Ainda assim, para os proprietários, continua a ser essencial confirmar que o carro está configurado para receber atualizações, manter o software atualizado e, sobretudo, utilizar as funções de assistência à condução dentro dos limites previstos - particularmente em sistemas L2, onde a responsabilidade de supervisão nunca deixa de ser do condutor.
Do sucesso de reservas do SU7 ao lançamento do YU7
O impacto mediático da Xiaomi no sector automóvel intensificou-se desde março do ano passado, quando o Xiaomi SU7 chegou ao mercado e somou cerca de 90 mil reservas nas primeiras 24 horas.
Um ano depois, a marca voltou a fazer manchetes com o Xiaomi YU7, um novo utilitário desportivo, que terá alcançado quase 300 mil pré-encomendas em apenas uma hora, sinal de um entusiasmo invulgar para um fabricante ainda recente neste segmento.
Entregas, disponibilidade e planos para a Europa
Entre o lançamento (no início do ano passado) e julho deste ano, foram entregues 305 055 unidades do SU7, segundo dados do Centro Chinês de Tecnologia Automóvel e Investigação.
Por enquanto, os automóveis da Xiaomi continuam disponíveis apenas na China. Ainda assim, a empresa já indicou que pretende expandir-se para a Europa a partir de 2027, um passo que, a concretizar-se, implicará escrutínio adicional sobre a validação, comunicação e desempenho dos sistemas de assistência à condução e de condução autónoma em diferentes enquadramentos regulatórios.
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