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MV Reijin. O Titanic dos automóveis que naufragou em Portugal

Navio cargueiro inclinado perde carros que caem para o mar junto a um rochedo e farol ao fundo.

Um navio que tinha tudo para se tornar o maior e mais sofisticado porta-automóveis do planeta acabou por ganhar notoriedade por um motivo bem diferente: naufragou logo na viagem inaugural, em plena costa portuguesa.

O MV Reijin, um navio Ro-Ro com cerca de 200 m de comprimento e perto de 58 mil toneladas, seguia do Japão rumo à Europa transportando mais de 5 400 automóveis quando, na madrugada de 26 de abril de 1988, encalhou ao largo da praia da Madalena, em Vila Nova de Gaia.

No vídeo referido, é contada a história completa deste caso que rapidamente passou a ser comparado ao Titanic: tal como o famoso transatlântico, também o MV Reijin era uma embarcação de referência para a sua época - e também acabou por se perder na primeira travessia. Com o tempo, o episódio ficaria conhecido como o «Titanic dos automóveis».

MV Reijin, porta-automóveis Ro-Ro: como começou o desastre

Antes do encalhe, o MV Reijin tinha feito escala no porto de Leixões para reabastecer e para descarregar centenas de automóveis da Toyota. Foi precisamente depois dessa operação que a situação se precipitou.

Já ao largo da praia da Madalena, o enorme porta-automóveis tombou, expondo uma grande fenda no casco - o sinal mais visível de que o incidente não seria um simples susto, mas sim um naufrágio com consequências.

Um ponto muitas vezes sublinhado em casos deste tipo é a própria natureza dos Ro-Ro: por serem concebidos para entrada e saída de viaturas por rampas, o seu layout interior e a forma como a água pode circular em determinados cenários exigem um controlo rigoroso da estabilidade. Quando algo corre mal, a evolução pode ser rápida e difícil de inverter.

Uma marca foi particularmente prejudicada: Toyota

Entre as perdas mais mediáticas estiveram os automóveis da Toyota. Milhares de carros da Toyota (e de outras marcas) acabariam por ficar inutilizados.

Pelo menos um veículo ainda deu à costa e, segundo relatos, chegou a ser aproveitado. Se algum desses carros voltou efetivamente a circular em estrada, isso já entra no domínio de outra história.

As causas continuam em debate

Apesar da dimensão do acontecimento, as causas do naufrágio permanecem, ainda hoje, motivo de discussão. Existem pelo menos duas teorias sobre o que terá levado o MV Reijin a encalhar - explicadas em detalhe pelo Guilherme Costa no vídeo mencionado.

Independentemente da explicação mais provável, o resultado foi imediato e impossível de ignorar: peças de automóveis e fragmentos do navio começaram a espalhar-se ao longo da costa, transformando o acidente num caso de grande projeção nacional e internacional. A operação de salvamento, longe de ser simples, evoluiu para uma intervenção complexa e prolongada.

Impacto na costa e memória do «Titanic dos automóveis»

Com a atualização pela inflação, estima-se que os prejuízos financeiros tenham chegado a milhões de euros, sem contabilizar os custos ambientais associados. Durante meses, a praia da Madalena tornou-se um ponto de passagem para curiosos e habitantes locais, atraídos pela escala do acidente e pelo que o mar ia devolvendo.

Em paralelo, episódios como este deixam uma lição recorrente na história marítima: a recuperação de cargas e a mitigação de impactos no litoral podem prolongar-se muito além do momento do encalhe, exigindo coordenação entre várias entidades e uma vigilância constante do estado do casco e dos materiais dispersos.

Ainda hoje, com a maré baixa, é possível ver restos metálicos a emergirem entre as rochas - um lembrete físico e persistente do naufrágio do MV Reijin, o episódio que ficou para sempre associado ao «Titanic dos automóveis».

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