A ofensiva chinesa no mercado automóvel europeu acaba de ganhar um episódio diferente do habitual - desta vez, não com mais um SUV nem com uma berlina elétrica, mas com um formato bem mais pequeno. A Linktour Automotive, uma start-up pouco conhecida fora da China, quer abrir caminho na Europa com um veículo que não é exatamente um automóvel: trata-se de um quadriciclo elétrico.
A estreia pública aconteceu no Salão de Munique (IAA 2025), onde a marca apresentou dois modelos: Alumi L6e e Alumi L7e. Ambos medem pouco mais de 2,6 metros de comprimento e estão enquadrados em categorias regulamentares europeias que impõem limites de desempenho: o L6e fica pelos 45 km/h e o L7e chega aos 90 km/h, restrições que decorrem das normas aplicáveis na Europa.
Linktour Alumi L6e e L7e: uma aposta para contornar tarifas na Europa
Há, porém, uma regra comunitária que joga a favor destes modelos. Por serem classificados como quadriciclos ligeiros, os Alumi L6e e L7e conseguem ficar fora das tarifas da União Europeia aplicadas a veículos elétricos produzidos na China.
Com custos de fabrico mais baixos, os construtores chineses têm vindo a apresentar na Europa propostas competitivas, tanto no preço como na tecnologia. No caso da Linktour, a abordagem é ainda mais agressiva: atacar um segmento em que já se comprovou existir procura, com exemplos como o Citroën Ami e o Renault Mobilize Duo.
Vale lembrar que, apesar de serem veículos compactos e pensados para deslocações urbanas, a entrada no mercado europeu depende não só do produto, mas também de fatores práticos como homologação, rede de assistência, disponibilidade de peças e soluções de financiamento - aspetos que costumam pesar na decisão de compra quando a marca ainda é desconhecida.
Tecnologia compacta do Linktour Alumi
Mesmo com dimensões reduzidas, a Linktour não abdica de argumentos técnicos. Em termos de autonomia, o Alumi L6e anuncia um máximo de 120 km, enquanto o Alumi L7e promete chegar aos 180 km.
A marca optou ainda por integrar as células da bateria diretamente na estrutura do veículo e por recorrer a uma carroçaria em alumínio com menos de 100 kg. Segundo a Linktour, isto corresponde a uma redução de 45% face a uma carroçaria equivalente produzida em aço.
Num mercado onde estes quadriciclos são frequentemente escolhidos para trajetos curtos, a proposta de construção leve pode traduzir-se em vantagens claras no dia a dia - desde a eficiência ao comportamento em cidade -, embora a perceção do público europeu sobre robustez e segurança também influencie a aceitação do conceito.
Um teste para a indústria chinesa do alumínio
Os Alumi L6e e L7e não representam apenas a ambição de uma start-up. São igualmente um ensaio importante para a Shandong Weiqiao Pioneering Group, um gigante do alumínio que já fornece fabricantes como a BYD e a Xiaomi.
Pela frente, a Linktour terá de medir forças com marcas já instaladas neste nicho e ultrapassar aquilo que o seu próprio diretor-executivo, William Tang, identifica como o principal entrave: conquistar o consumidor europeu.
“As tarifas não são a nossa maior preocupação, o verdadeiro desafio está em ganhar a aceitação do consumidor”, afirmou Tang.
Quando chegam ao mercado
Os quadriciclos elétricos da start-up chinesa vão começar por chegar a Itália, já em novembro, e a empresa define como meta vender 20 mil unidades em toda a Europa no próximo ano.
O preço ainda não foi divulgado. Em Portugal, para referência, o Citroën Ami começa nos 7 990 euros e o Renault Mobilize Duo ronda os 9 990 euros. Além destes quadriciclos, a Linktour planeia também lançar veículos de maiores dimensões em alguns mercados, incluindo o Reino Unido e o Médio Oriente.
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