Apesar de já somar alguns anos de estrada, o Mercedes-Benz EQB 250+ continua a ter um trunfo que quase nenhum SUV elétrico compacto consegue igualar. Ou melhor: sete trunfos, se contarmos os lugares.
É provável que se pergunte por que motivo faz sentido voltar ao Mercedes-Benz EQB 250+ nesta altura. A próxima geração já foi apanhada em testes na Europa e a atual - que recebeu uma atualização há cerca de dois anos - começa, naturalmente, a denunciar a idade em alguns detalhes.
Ainda assim, este EQB continua a ocupar um espaço muito particular no mercado: por baixo de um aspeto de pequeno aventureiro, esconde um conjunto 100% elétrico num SUV que pode ter lotação máxima de sete lugares.
E a verdade é que esta combinação não abunda. Os poucos modelos que oferecem sete lugares com motor elétrico tendem a ser maiores: o mais próximo em conceito é o Peugeot E-5008, enquanto outras alternativas já entram claramente noutra escala - basta lembrar o Kia EV9.
No EQB, tudo isto está concentrado numa carroçaria com menos de 4,7 m. Na configuração mais simples, o desenho não impressiona muito, mas a unidade ensaiada - com pack estético AMG, pintura mais chamativa e jantes de 20 polegadas - ganha presença e deixa de passar despercebida. A seguir, fica o retrato do que este SUV ainda entrega em 2026.
Jogo das cadeiras no Mercedes-Benz EQB 250+
Começando pelo lugar do condutor, não há surpresas: o ambiente a bordo segue a receita já conhecida da marca, com saídas de ventilação redondas e um painel horizontal que junta dois ecrãs de 12,8”.
A posição de condução é um dos pontos fortes. Há amplitude de ajustes suficiente para acomodar condutores de várias estaturas e a ergonomia, no geral, é fácil de acertar.
Quanto à perceção de qualidade, nota-se que a Mercedes-Benz consegue subir a fasquia noutros modelos, mas o EQB apresenta uma seleção competente de materiais e uma montagem que transmite solidez no dia a dia.
Na segunda fila, existem três lugares, com uma habitabilidade alinhada com o que se espera da maioria dos SUV familiares deste segmento. Ainda assim, como não se trata de um modelo concebido de raiz para ser elétrico (onde a distância entre eixos costuma ser mais generosa), o espaço não sobra; mesmo assim, não é irrealista usar os três lugares quando necessário.
Terceira fila de assentos: sete lugares, mas com limitações
É quando se pede aos dois lugares da terceira fila que surgem as maiores cedências. No Mercedes-Benz EQB, esta solução é opcional e custa um pouco acima de 1 000 € - e faz mais sentido como resposta ocasional, sobretudo para trajetos curtos em cidade.
Para viagens mais longas, o compromisso é evidente: a própria marca aconselha que os ocupantes da terceira fila não ultrapassem 1,65 m de altura, o que diz muito sobre o espaço disponível para pernas e postura.
O acesso, por outro lado, está longe de ser um drama. A segunda fila pode deslizar longitudinalmente e dividir-se de forma assimétrica (1/3–2/3). Além disso, as costas dos bancos têm sete posições possíveis. Com alguma coordenação entre passageiros, dá para utilizar a terceira fila sem grandes contorcionismos.
Bagageira: onde se paga a fatura dos lugares extra
O verdadeiro “efeito colateral” aparece na bagageira. Ao escolher a terceira fila, a capacidade passa de 495 litros para 465 litros.
E quando os sete lugares estão efetivamente ocupados, o espaço para carga encolhe drasticamente: fica, na prática, para uma ou duas mochilas, um saco de desporto e pouco mais.
Um elétrico com andamento (sem pretensões de desportivo)
O visual desta unidade, reforçado pelo pacote AMG e pelas jantes maiores, até pode levar a pensar que há aqui um toque mais arrojado. Mas convém alinhar expectativas: de AMG, neste caso, fica essencialmente a estética - nada de sonoridades dramáticas ou ambições de desportivo.
O EQB 250+ é 100% elétrico, com tração dianteira, e disponibiliza 190 cv e 385 Nm de binário. É potência suficiente para uma condução desembaraçada e para manter bom ritmo, sobretudo em percursos urbanos e periurbanos.
As jantes de 20 polegadas vêm acompanhadas por uma suspensão com amortecimento ajustável, que se faz notar ao alternar entre modos de condução. No modo mais dinâmico, o conjunto fica mais firme, a carroçaria controla melhor os movimentos em curva e a resposta ao acelerador torna-se mais pronta.
Para ajustar a condução a cada situação, as patilhas atrás do volante permitem variar os níveis de regeneração de energia, algo útil tanto para maximizar eficiência como para tornar o andamento mais suave em trânsito.
EQB 250+ no mundo real: consumos e autonomia
No uso quotidiano, a conversa muda para a eficiência - e aqui o modo Eco revela o lado mais comedido do EQB. A marca aponta para 15,2 kWh/100 km, valor que faz sentido imaginar com as jantes de série de 18 polegadas e pneus menos orientados para performance.
No nosso cenário - jantes opcionais de 20 polegadas, Pirelli P Zero, ar condicionado sempre ligado, alguns quilómetros de autoestrada e condução sem exageros - o registo foi de mais de 18 kWh/100 km.
Mesmo assim, com 70,5 kWh de capacidade útil, o EQB mostrou capacidade para ultrapassar os 400 km sem grande dificuldade. O objetivo dos 520 km oficiais, esse, fica claramente fora de alcance neste tipo de utilização e configuração.
Carregamentos e planeamento: o que conta no dia a dia
Num elétrico familiar, a experiência não se resume a consumos. O que pesa é a facilidade de integrar carregamentos na rotina: quer seja em casa (quando existe essa possibilidade), quer seja em postos públicos. Em viagens, torna-se particularmente importante a previsibilidade do planeamento - e é aqui que a integração de navegação, estimativas e gestão de energia ganha relevância para reduzir ansiedade de autonomia, sobretudo quando se transporta família e bagagem.
Opcionais: quando a resposta é sempre “sim”
Em versão base, sem extras, o Mercedes-Benz EQB 250+ arranca nos 56 500 €. O problema (ou a tentação) é que a unidade ensaiada está muito longe de ser “de origem”: entre estética, jantes e outros equipamentos, a sensação é a de ter sido escolhida uma resposta única para a lista de opcionais.
O resultado é claro: o preço final sobe para 74 300 €. E, por curiosidade, nem é difícil - no configurador da marca - empurrar o EQB 250+ para lá dos 80 000 €.
Com a estrela ao peito e o argumento raro dos sete lugares, continua a ser um valor elevado para este SUV. Até porque existem propostas fora do universo premium que, por montantes semelhantes ao deste EQB muito equipado, entregam mais autonomia e mais espaço, muitas vezes já com uma dotação de série bastante completa.
Veredito Mercedes-Benz EQB 250+: o valor do “sete em menos de 4,7 m”
O Mercedes-Benz EQB 250+ mantém-se relevante por um motivo muito concreto: é um dos poucos SUV elétricos compactos com sete lugares (ainda que os dois do fundo sejam claramente de recurso). Para quem precisa dessa flexibilidade pontual - levar mais duas crianças, por exemplo - é um argumento difícil de ignorar.
O problema surge quando se cruza essa versatilidade com o preço de uma unidade carregada de opcionais: a relação entre o que se paga e o que se recebe torna-se mais difícil de defender face a alternativas mais espaçosas e, nalguns casos, mais eficientes. Ainda assim, como pacote familiar elétrico “compacto” e com imagem premium, o EQB continua a ter um lugar próprio no mercado.
Especificações técnicas
| Item | Mercedes-Benz EQB 250+ |
|---|---|
| Tipo | SUV 100% elétrico |
| Tração | Dianteira |
| Potência máxima | 190 cv |
| Binário máximo | 385 Nm |
| Bateria (capacidade útil) | 70,5 kWh |
| Consumo anunciado | 15,2 kWh/100 km |
| Consumo registado (ensaio) | > 18 kWh/100 km |
| Autonomia realista observada | > 400 km |
| Autonomia oficial referida | 520 km |
| Comprimento | < 4,7 m |
| Lotação máxima | Até 7 lugares (3.ª fila opcional) |
| Bagageira (sem 3.ª fila) | 495 L |
| Bagageira (com 3.ª fila instalada) | 465 L |
| Bagageira com 7 lugares em uso | Apenas para pequenas malas/mochilas |
| Preço base | 56 500 € |
| Preço da unidade ensaiada | 74 300 € |
| Opção 3.ª fila | Pouco acima de 1 000 € |
| Destaques da unidade ensaiada | Pack estético AMG, jantes de 20” e pneus Pirelli P Zero, suspensão com amortecimento ajustável |
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